Homens transexuais menstruam. Pelo menos até que o seu processo de transição seja concluído. E essa é uma realidade sobre a qual o mercado de higiene íntima pouco atua. Por isso, vamos entender nesse breve estudo o que vem sendo comentado sobre esse tema nas redes sociais, visando encontrar oportunidades para marcas e portfólio de produtos.

No banco de dados STILINGUE, entre janeiro e julho de 2020, encontramos pouco mais de 400 menções sobre o assunto – com concentração no Twitter (62%).

Imagem 1: Gráfico de Evolução Temporal do Radar STILINGUE

Conforme ilustra o gráfico acima, houve um pico de ocorrências em março.

O que ocorreu no período foi que um post da Always, datado de 2019, voltou a repercutir – a publicação é de quando a marca retirou o símbolo feminino de suas embalagens.

Nessa situação, percebemos que ocorreram diversas narrativas distintas, podendo ser resumidas entre aqueles que defendem a inclusão, os preconceituosos e os que não entendem muito do assunto, conforme exemplos a seguir:

Além disso, também percebemos movimentações no mês de junho – quando ocorre o Dia do Orgulho LBGTQI+ – sendo que, novamente, os padrões de fala também foram muito distintos.

Salientamos que até a autora J.K. Rowling, mundialmente conhecida pela saga Harry Potter, foi recentemente acusada de transfobia após tuítes abordando feminilidade x menstruação.

É interessante notar que, entre a distribuição por gêneros, as mulheres são as que mais abordam o tema – mas o assunto já é também disseminado entre homens e organizações:

  • Mulheres (41%);
  • Homens (25%);
  • Organizações (35%);

Já entre os principais publicadores, aparecem alguns perfis pessoais, sendo que apenas um deles se declara publicamente homem trans.

Imagem 2: Gráfico de Principais Publicadores do Radar STILINGUE

CONCLUSÕES

Percebemos que o caminho para inclusão do homem trans no mundo da higiene íntima é cheio de detalhes minuciosos, ou seja, não basta mudar ou tirar um símbolo da embalagem, ou mudar sua cor.

A inclusão deve ser considerada também, e principalmente, nas comunicações da marca e produtos – pois, aparentemente, é onde eles sentem mais dor por não serem representados.

De fato, é um assunto muito delicado. Existem muitos lados da história – sendo que encontramos depoimentos que abordam muito além da menstruação, passando por maternidade, parto e até rotina com médicos ginecologistas.

Mas, com um planejamento bem feito, a marca que conseguir incluir e ganhar esse público – e seus defensores – será pioneira em uma seara muito valiosa da diversidade.

Autor

Pati Azevedo é publicitária e atua no mercado de comunicação desde 2010. Já passou por algumas agências de publicidade e traz vasta experiência em análise de dados, com destaque para gerenciamento de crises e monitoramentos em real time. Hoje compõe o time de Education da STILINGUE, ajudando grandes marcas na adoção de uma cultura data-driven, para alcançarem seus objetivos de negócio com o uso da nossa plataforma.

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