A indústria fashion é reconhecidamente uma das que mais busca por reinvenção. Em toda sua história, esteve sempre à procura de inovação, mudanças, quebras de paradigmas e disrupturas.

Neste ano, todo o modelo de compra e reflexão por trás do consumo de itens fashion foi impactado pela pandemia. 

As marcas então se questionam: essas mudanças vieram para ficar? Como entender este novo consumidor? Como estar preparado para o futuro?

Moda Consciente e Sustentabilidade

Segundo pesquisa da Opinion Box, 1 em cada 3 consumidores afirmam que se preocupam muito com as práticas sustentáveis das marcas que consomem e 55% dão preferência por empresas conhecidas por cuidar do meio ambiente.

Apesar desta nova geração de consumidores com preocupações de responsabilidade ambiental, neste ano, das mais de 17.8 milhões de publicações com referências a peças de roupas e acessórios nas redes sociais, apenas 0,06% alertam para itens, produções ou até mesmo consumo mais conscientes: tecidos biodegradáveis, reutilização de peças, formulação de armários conscientes, processos mais ecológicos, menos consumo de água, entre outros. 

Imagem 1: Gráfico de Ranking AAA de Influenciadores do War-Room STILINGUE

A partir da metodologia AAA, da STILINGUE, percebe-se que entre as 10 marcas mais influentes no tópico consciência de consumo e de produção, 6 correspondem a produtores e marcas locais:

  1. @damyller: fibras e tecidos reciclados em peças e acessórios.
  2. @lojasRenner: destaque para coleções com re jeans (tecidos reciclados com baixo consumo de água) e peças com algodão orgânico.
  3. @barakmodafeminina: principalmente utilização de Napa, tecido ecológico.
  4. @urbanflowers: marca de calçados veganos e sustentáveis.
  5. @onlauri: divulgação de produtos da própria marca com abordagem sustentável, principalmente, calças de couro ecológico.
  6. @operakidsoficial: peças focadas no público infantil, com uso de estamparia digital, que geram menos resíduos e descarte de tintas. Além do reuso de retalhos e menos desperdício.
  7. @pampili: utilização de malhas ecológicas, lonas recicláveis e menos processos com produtos químicos na produção de calçados.
  8. @decathlonbrasil: peças com menos emissões de partículas finas, utilização de algodão orgânico e borrachas recicladas.
  9. @osklen: coleções com composições em PET reciclados, redução no consumo de água nas produções, adoção de processos menos químicos e tingimentos naturais. 
  10. @phpraia: coleções de beachwear responsáveis com  inclusão de tecidos biodegradáveis e proteção uv.

Compre local

Os empreendimentos locais ganharam mais força em 2020, tanto por declarações e preocupações em linha com os novos padrões de consumo, quanto por fatores externos como a pandemia e o isolamento social.

Altamente impactados pela restrição de socialização, o movimento de apoiar os pequenos produtores registrou mais de 34 mil publicações nas redes este ano.

Imagem 2: Gráfico de Termos Relacionados do Radar STILINGUE

Destas, o universo fashion revelou-se entre os principais segmentos lembrados:

  • Moda (16%)
  • Artesanato (10,6%)
  • Comidas (9,7%)
  • Decoração (7,9%)

Causas sociais

Se a nova geração de consumidores revela posicionamentos e preocupações sociais mais claras, o relacionamento com as marcas consumidas parte do mesmo pressuposto: 37% dos entrevistados pela Opinion Box comprariam mais de marcas que se posicionassem a favor de causas sociais. 

Falando em moda inclusiva para pessoas com deficiência (PCD), por exemplo, marcas como Renner, Riachuelo, Zara, C&A e Lojas Marisa pouco foram mencionadas nos últimos 3 meses com um volume inferior a 100 citações.

Ganham espaço assim, perfis de influenciadores que pregam e praticam a diversidade:

  • @modaemrodas – moda adaptada para cadeirantes
  • @looklittle – moda adaptada para portadores de nanismo
  • @henrynogueiramorais – moda sem gênero e plus size

Pós pandemia

É indiscutível como a pandemia e o isolamento social modificaram a forma como nos relacionamos e como consumimos.

Imagem 3: Gráfico de Evolução no Tempo do War-Room STILINGUE

Nos primeiros cinco meses do ano, elementos que reforçavam conforto das peças de moda eram encontrados em uma média de 245 posts/dia. O número sofreu um aumento significativo nos 5 meses seguintes, com um aumento de 176% na média diária.

Por outro lado, a sensação de luxo sofreu impacto reverso: com uma média diária de referências 3 vezes menor nos últimos 5 meses, quando comparada com conforto. 

Imagem 4: Gráfico de Termos Correlacionados do War-Room STILINGUE

Além da qualidade, a quantidade também foi questionada. Nos últimos 3 meses, mais de 20.4 mil publicações reforçaram interesse em doar peças de roupas excedentes. Destaque também para o aparecimento de termos como “bom estado” que reforçam a cultura de doação mais responsável e altruísta.

O sentimento dos consumidores sofre alterações diariamente. Tendências surgem e somem com a força de um tweet. A agilidade com que as marcas respondem a estes novos parâmetros pode (e deverá) ser responsável pelo fortalecimento ou desaparecimento da mesma.

Autor

Camila Harumi é formada em jornalismo e está no mercado de comunicação digital desde 2013. Traz experiências com gestão e capacitação de equipes, e já atuou como BI, CM, redatora e com Social Listening, principalmente em gestão e prevenção de crise de imagem. Participou também de projetos como eleições presidenciais 2014 e Olimpíadas.

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