Antes do isolamento, o podcast dominava o espaço de novo formato favorito, disputado entre marcas, anônimos e influenciadores, de redes sociais vizinhas ou que se tornaram famosos pelo conteúdo nas plataformas de streaming. 

Podcast - Gráfico 1: evolução do termo no período de 1 de janeiro de 2020 a 14 de junho de 2020
Gráfico 1: evolução do termo no período de 1 de janeiro de 2020 a 14 de junho de 2020

Ao contrário do que se espera num cenário positivo do isolamento onde nascem novas boas ideias, o termo “podcast” esteve envolvido nas conversas entre altos e baixos nos últimos meses, mas isso é um reflexo do que acontecia antes mesmo da chegada da pandemia ao Brasil.

No gráfico de evolução do início do ano até aqui, conseguimos observar essa oscilação do desempenho do termo nas redes. Apesar disso, a diferença é que antes elas aconteciam de forma mais espaçada, demoravam para entrar num novo pico de menções e hoje o movimento está cada vez mais estreito.

Além disso, indo na contramão do sucesso indiscutível das lives pós-quarentena, o podcast teve seu pico de menções antes do isolamento, alavancado pelo futebol (com forte presença do Fluminense) que ainda não haviam sofrido interrupção das atividades. 

Quem são e quem podem ser podcasters?

Podcast - Gráfico 2: Principais publicadores
Gráfico 2: Principais publicadores

Indicando a versatilidade do formato, aparecem entre os principais publicadores: gamers, blogueiros, vlogueiros políticos, desenhistas e até Câmaras Municipais.

Ainda comprovando seu alto nível de adaptação, analisando somente a rede social com maior representatividade, os tweets mais compartilhados vão desde ativismo social e política; passam por resenhas sobre entretenimento e aulas preparatórias para o ENEM, e chegam ao futebol com declaração do Júlio César ao Flamengo e histórias sobre o São Paulo Futebol Clube. Você também pode ser um!

Com quem você vai falar?

Podcast - Gráfico 3: Distribuição de gênero e interesse
Gráfico 3: Distribuição de gênero e interesse

Entre os envolvidos, 42% são do gênero masculino e 24% feminino e são interessados em mídia impressa, imprensa social, comunidade, mídia online ou rádio. Esses dados revelam o potencial do formato em substituir mídias tradicionais (como rádio e jornal) ou outros formatos digitais.

Onde o público fala sobre podcast?

Podcast - Gráfico 4: Representatividade de canais na internet
Gráfico 4: Representatividade de canais na internet

Apesar do Twitter (57%) ser a rede social mais escolhida para falar sobre o assunto, 19 das 20 publicações mais influentes do período vêm do YouTube, funcionando como uma fonte de tráfego e extensão do conteúdo audiovisual de youtubers.

No ranking geral de representatividade, o YouTube ocupa o terceiro lugar com 12%, seguido dos Portais (14%). 

E onde eles encontram esse conteúdo?

Podcast - Gráfico 5: Termos correlacionados
Gráfico 5: Termos correlacionados

Como canais de hospedagem, aparecem Spotify (com maior representatividade) seguido de Soundcloud e Deezer. Outro aplicativo ligado ao termo é o Telegram, que também faz parte dos canais de comunicação e divulgação de youtubers. 

Afinal, como estão os podcasts no isolamento?

Marcando como início o primeiro anúncio da Covid-19 no Brasil (26/02), foram feitas 118 mil publicações do começo do ano até a data. Ainda considerando esse marco, no primeiro mês da Covid-19 no Brasil, foram feitas mais de 65 mil publicações.

Em abril de 2020, houve aumento de 21% no uso do termo, o número se manteve sem crescimento em maio e esse comportamento caminha para se repetir em junho. Mesmo estagnado agora, o início da pandemia acelerou o crescimento do formato. Algumas das hipóteses da queda são: ascensão das lives e mudança no comportamento do ouvinte. O último também foi o principal motivador da guinada do formato antes do coronavírus, os adeptos usavam seu deslocamento pela cidade ou seu tempo livre fora de casa para experimentar esse entretenimento economizando o pacote de dados.

Apesar de ser um formato novo, ele já tem sido reinventado e adaptado à nova realidade provisória, se fortalecendo na era da informação sobre a Covid-19 e surfando na onda de outro caso de consumo, que vinha desde antes da quarentena: usuários que ouvem seu podcast preferido enquanto realizam tarefas domésticas.

Ainda que conteúdos em foto e vídeo tenham ocupado parte da atenção do público por serem mais atrativos e acessíveis no isolamento (onde os estímulos visuais estão limitados e aumenta o acesso à internet banda larga), o formato não foi totalmente esquecido e ainda há tempo de apostar com criatividade.

E, se a tendência antes do isolamento se mantiver, o podcast pode alavancar pós-quarentena, onde as pessoas estarão mais propensas a explorar os espaços fora de casa, retomando sua rotina diária. 

Autor

Maynara Ribeiro é formada em Publicidade e Propaganda e atua com marketing digital desde 2013. Durante esses anos, com foco nas áreas de estratégia, conteúdo e gestão de comunidades, traz na bagagem o desenvolvimento de campanhas para clientes dos mais variados portes e segmentos.

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