A presença do setor automotivo no mercado brasileiro é gigante: de acordo com o Ministério da Economia, sua atividade corresponde a 22% do PIB industrial. A indústria projeta uma alta de 11% nas vendas para 2019 e o mercado brasileiro figura entre os 10 maiores consumidores do mundo. 

Mas como as vozes desse setor automotivo se dão nas redes sociais? Aqui, não estamos necessariamente pensando em como as montadoras atuam nesse ambiente mas em como as comunidades se organizam e comunicam a respeito deste setor. Estamos diante da primeira geração nascida e criada em um ambiente digital, a geração Z. Além da geração Y, ou os millennials, que viveram o início de uma revolução informacional e tecnológica sem precedentes. São essas gerações que irão determinar em qual estrada o mercado irá seguir. 

Algumas projeções já indicam novidade na estrutura de consumo. De acordo com um estudo realizado pela PwC, até 2030 um terço dos quilômetros percorridos nos EUA e Europa serão dirigidos por veículos compartilhados, dispensando a compra de 138 milhões de carros. Outra pesquisa, da Deloitte, aponta que 62% dos jovens das gerações Y e Z que utilizam serviços de compartilhamento de automóveis não projetam a compra de um carro futuro. Essas pesquisas apontam um movimento onde a posse de veículos pode ser substituída pelo usufruto dos automóveis. 

Além disso o público é muito bem informado e conectado, preferindo o ambiente online para pesquisar a respeito de um produto a ser consumido. Também é neste ambiente que se expressam: desejos, frustrações e opiniões são compartilhadas a todo momento. 

Afinal, o que dizem sobre o consumo de veículos atualmente? Como a mobilidade como serviço é discutida nas redes sociais? Quais associações podemos ter entre as montadoras e esses desafios do setor?

Onde falam sobre o setor automotivo ?

Assim, utilizamos a IA para ouvir as vozes das comunidades que se expressam online e buscamos insights sobre o setor automotivo.  Entre 01/08/2018 e 05/08/2019 foram coletadas 603.891 publicações de Blogs, Portais, Instagram, Facebook, Twitter e YouTube. O canal com maior presença é o Twitter, seguido de Portais, comentários no YouTube e comentários no Facebook.

Gráfico 01: Distribuição dos canais do War Room STILINGUE setor automotivo
Gráfico 01: Distribuição dos canais do War Room STILINGUE

No Twitter são monitorados os perfis públicos através de sua API Standard e os grupos de publicações que fazem alusões a compras e vendas de veículos são destacados, seguidos de caronas compartilhadas. 

Gráfico 02: Distribuição por grupos do War Room STILINGUE setor automotivo
Gráfico 02: Distribuição por grupos do War Room STILINGUE

Do mesmo modo, o Twitter segue a tendência da amostra total, onde os grupos de publicações se destacam nas mesmas temáticas, com a adição de intenção de troca e aplicativos de transporte. 

Gráfico 03: Distribuição por grupos do War Room STILINGUE setor automotivo
Gráfico 03: Distribuição por grupos do War Room STILINGUE

Os dados indicam que o assunto não é expressado exatamente como uma paixão nacional. A partir dos usuários que disponibilizam os dados geolocalizados de suas publicações, podemos apontar no mapa a incidência dessa amostra. Abaixo, verifica-se uma expressividade do sul e sudeste em detrimento dos outros estados. 

Gráfico 04: "Onde estão falando" do War Room STILINGUE setor automotivo
Gráfico 04: “Onde estão falando” do War Room STILINGUE

As intenções de compra, troca, venda e aluguel

Antes de tudo, isolamos na amostra global as publicações que citam a compra e venda de automóveis e cruzando com citações às montadoras é possível visualizar um comparativo e determinar as montadoras mais citadas neste tema. Abaixo, destacam-se Ford, Volkswagen e Fiat. 

Gráfico 05: Matriz comparativa do War Room STILINGUE setor automotivo
Gráfico 05: Matriz comparativa do War Room STILINGUE

Intenção de compra

Volkswagen lidera neste tema, tendo vencido o prêmio “Melhor Compra 2018” da revista Quatro Rodas conforme a amostra indica. As conversas ainda citam os modelos Polo, Golf , Gol e Onix como perspectivas de compras. É comum, também, conversas que evocam os preços de automóveis no Brasil de forma negativa. 

A Ford possui no Mustang um sonho de consumo e modelos como o Ford Ka e Ecosport são largamente citados, sendo que o SUV é um dos modelos que menos se desvalorizaram no primeiro semestre de 2019. A depreciação de veículos também é citada como um aspecto negativo para a Ford, com o termo Fenabrave esquentando nos Termos Correlacionados. 

Gráfico 06: Termos correlacionados do War Room STILINGUE setor automotivo
Gráfico 06: Termos correlacionados do War Room STILINGUE

O Termos Correlacionados parte de uma amostra ao centro e prossegue para as conversas de primeiro nível, segundo nível e assim por diante, conforme chegamos à margem do sonar. Em Fenabrave, nota-se uma relação com a Ford devido ao índice de modelos depreciados no primeiro semestre de 2019: a montadora lidera a relação com os modelos Fastback, Focus e Ka Sedan.

Dessa forma, partindo dessas conversas de primeiro nível é possível identificar conversas que se desencadearam a partir do termo lado: consequentes mudanças climáticas e serviços de carona. Aqui, o serviço é lembrado como uma alternativa à poluição oriunda do uso convencional de automóveis. 

A Fiat, por sua vez, também possui em seu sonar a Fenabrave, sendo a segunda montadora com mais modelos depreciados no período. 

Gráfico 07: Termos correlacionados do War Room STILINGUE
Gráfico 07: Termos correlacionados do War Room STILINGUE

Para as intenções de compra, destacam-se os modelos Toro, Palio, Strada e Uno. 

Intenção de troca

O maior volume deste tema possui origem no Instagram, com 54% das publicações, onde há presença de perfis de concessionárias realizarem vendas de seminovos. É comum, nesse segmento de negócios, o uso de um carro na negociação para a compra de outro modelo, estabelecendo a troca. Um destaque neste nicho são ofertas de negócios para motoristas de aplicativos. Abaixo, o termo Uber se destaca como um de interesse e as conversas ilustram a demanda desse público, com palavras como financiamento fácil, carro na troca e carros em estoque em evidência. 

Gráfico 08: Termos correlacionados do War Room STILINGUE

Intenção de venda

Nota-se então que a intenção de vendas para motoristas de aplicativos é presente na amostra. Isolando os principais aplicativos da temática, o Uber se destaca como público alvo neste nicho de negócio. 

Gráfico 09: Matriz comparativa do War Room STILINGUE
Gráfico 09: Matriz comparativa do War Room STILINGUE

A intenção de aluguel também é presente nesse modelo, onde motoristas de aplicativos são vistos como uma oportunidade de negócios. Nessa temática, também são exibidas conversas onde a compra do automóvel é comparada financeiramente ao aluguel.

Gráfico 10: Matriz comparativa do War Room STILINGUE
Gráfico 10: Matriz comparativa do War Room STILINGUE

O sonar abaixo exibe os termos mais populares das conversas que cruzam a intenção de aluguel com os aplicativos. Tendo como o Uber a principal referência, as conversas possuem os termos dinheiro, motoristas, renda e pessoas como relevantes. 

Gráfico 11: Termos correlacionados do War Room STILINGUE
Gráfico 11: Termos correlacionados do War Room STILINGUE

A partir da amostra coletada podemos concluir que as conversas apontam seu volume para o que podemos chamar de modelo clássico de negócios: a venda de automóveis onde o indivíduo exerce a posse. Entretanto na mesma amostra é possível identificar conversas emergindo desse modelo, onde a mobilidade é norteada pelo usufruto de automóveis. 

Mobility as a service

Como as montadoras vem se posicionando neste segmento? Quando verificamos as publicações que transitam especificamente no ambiente de carsharing notamos que as mesmas montadoras que se destacaram na amostra global também são lembradas neste zoom. A variação está na ordem: a Volkswagen supera a Ford no volume de publicações.

Gráfico 12: Matriz comparativa do War Room STILINGUE
Gráfico 12: Matriz comparativa do War Room STILINGUE

As conversas indicam que a Volkswagen é citada no ramo pelo lançamento do WeShare, anunciado na Alemanha. O serviço disponibilizou 1,5 mil Golfs elétricos para o aluguel on demand. Além disso, a montadora também é citada em relação ao aplicativo Zazcar, que adquiriu 40 carros da montadora para seu negócio.

Gráfico 13: Termos correlacionados do War Room STILINGUE
Gráfico 13: Termos correlacionados do War Room STILINGUE

Já a Ford é citada em conversas que discutem o futuro do setor automotivo e aludem à uma historicidade, dado a importância da montadora a partir do século XX. Quando relacionados à aplicativos, Ford é citada em relação à utilização do Waze com o SYNC e a aquisição da Spin, aplicativo de mobilidade urbana com foco nos patinetes, considerado um movimento de micromobilidade. Tempo é um termo comum em conversas sobre o aluguel dos automóveis, dado que é uma métrica utilizada na precificação do serviço. 

Gráfico 14: Termos correlacionados do War Room STILINGUE
Gráfico 14: Termos correlacionados do War Room STILINGUE

Serviços e aplicativos

Atualmente diversos aplicativos oferecem o serviço de carsharing, principalmente em São Paulo. Cruzando os dados é possível notar os destaques em cada ramo de atuação. 

Gráfico 15: Matriz comparativa do War Room STILINGUE
Gráfico 15: Matriz comparativa do War Room STILINGUE

Note que no campo do Carsharing destaca-se o aplicativo Urbano, enquanto o Uber é o mais mencionado na categoria de aplicativos de transporte. Nas caronas compartilhadas Blablacar e Waze Carpool indicam crescimento de menções. 

A geração que não conduzirá pelo volante?

Quem irá ditar os rumos do setor automotivo é o novo público consumidor, formado por pessoas que respiram o ambiente digital, são bem informadas e que utilizam os serviços ofertados por aplicativos. Essa geração não necessariamente estará sentada no banco do motorista.

Mas como as montadoras estão sendo lembradas quando falamos desse público?

Gráfico 16: Matriz comparativa do War Room STILINGUE
Gráfico 16: Matriz comparativa do War Room STILINGUE

Mais citadas do setor automotivo

As três montadoras mais citadas no grupo Millenials, com o objetivo de monitorar termos das gerações Y e Z, são a Ford, Volkswagen e Chevrolet. No caso da primeira, é possível notar alguns termos esquentando nas conversas, representados pelos círculos em laranja:

Gráfico 17: Termos correlacionados do War Room STILINGUE
Gráfico 17: Termos correlacionados do War Room STILINGUE

No caso da Ford, o termo indústria automobilística levanta ações da montadora para treinar lideranças do terceiro setor, a necessidade da indústria em se reinventar. Os bilhões expostos no grafo de termos não se trata de de lucros da montadora, e sim de conversas que reforçam a necessidade de renovação. Mudanças e Startups também são termos em evidência. 

A Volkswagen possui um gráfico de termos ligeiramente diferente, onde o termo tecnologias é um dos evidenciados. Aqui vemos conversas sobre a criação de uma loja digital e a parceria da Volks com a IBM para formar jovens em um contexto de novas tecnologias. 

Gráfico 18: Termos correlacionados do War Room STILINGUE
Gráfico 18: Termos correlacionados do War Room STILINGUE

Além disso, é possível destacar conversas onde eletrificação é um termo evidente, conectado nas conversas com os termos compartilhamento e conectividade. Aqui vemos alusões à reestruturação do setor focando nos jovens, onde a Volks fez uma parceria com a Ford para o desenvolvimento de novas tecnologias. 

Quando olhamos somente para o grupo Millenials, a GM/Chevrolet fica em terceiro lugar no critério de número de menções. Alguns termos, como montadoras, startups e tecnologias fazem coro à já mencionada reestruturação, onde a GM aparece com um movimento de fechar fábricas e investir em startups ligadas à eletrificação e manufatura digital. 

Gráfico 19: Termos correlacionados do War Room STILINGUE
Gráfico 19: Termos correlacionados do War Room STILINGUE

Foco no público novo do setor automotivo

As conversas, portanto, indicam que as montadoras estão cientes das mudanças trazidas pelas novas formas de consumo. O grupo de publicações focadas em menções à esse público indica alguns insights produtivos: note as conversas de primeiro nível dos termos correlacionados:

Gráfico 20: Termos correlacionados do War Room STILINGUE
Gráfico 20: Termos correlacionados do War Room STILINGUE

Termos como smartphones, futuro e internet são evidenciados. O gráfico acima pode ser considerado como uma fotografia de conversas que mencionam os termos “jovem”, “millenial”, “millennials”, “geração Y” e “geração Z”, além de suas variações de número, dentro de um contexto definido por mobilidade urbana, uso de aplicativos, etc. 

Conversas que citam a faixa etária entre 18 e 45 anos são evidenciadas por serem pessoas que se encaixam nas gerações Y e Z. Aqui temos alusões a uma pesquisa que indica o uso de aplicativos de transporte como um fator responsável por reduzir mortes no trânsito. Além disso esse mesmo termo é utilizado em conversas sobre pesquisas de economia compartilhada, onde o impacto é maior nas gerações Y e Z.  

Futuro é um termo evidente por ser um termo comum em conversas sobre serviços utilizados por esse público e novas tecnologias. Em suma, o retrato desse grupo aponta que a utilização dos serviços tende a aumentar. 

Insights & Recomendações

Observando quem dita as regras no setor automotivo

Através da análise dos dados coletados pela STILINGUE  verifica-se que a maioria das publicações que citam as montadoras no contexto da indústria automotiva ainda apontam para o modelo clássico de negócios, onde as pessoas buscam comprar e possuir veículos. Entretanto, nesta amostra é possível notar a efervescência de conversas que predizem uma mudança no setor automotivo, puxada pelo comportamento de consumo das gerações Y e Z. 

Com isso, a ferramenta permite isolar os dados para evidenciar essas conversas e cruzar com categorizações como as montadoras, os serviços e os aplicativos utilizados no contexto de mobilidade. Os dados apontam que há um caminho promissor de negócios quando alinhado aos anseios dessa geração consumidora — e verificamos que algumas montadoras já notaram isso e estão promovendo ações que atendam suas exigências. 

A análise também observou que há público consumidor nas comunidades voltadas a aplicativos, como a compra de frota de veículos para o fornecimento do serviço de carsharing ou a compra individualizada para pessoas interessadas em serem motoristas de aplicativos. Alinhado com o que essas comunidades dizem, de acordo com a Infomoney, o vice-presidente da Toyota chegou afirmar que as vendas para pessoa jurídica pode chegar em 50% no Brasil. 

Os dados coletados neste estudo sublinham a expansão de um modelo de negócios face às gerações Y e Z. Neste sentido, o monitoramento online dessas comunidades e suas conversas faz-se necessário em razão de ser o ambiente em que esse público se expressa.

Autor

Gabriel Sales é formado em jornalismo e análise de mídias sociais. No campo da comunicação, já atuou como repórter e fotógrafo. Atualmente exerce sua paixão auxiliando usuários nas possibilidades do War Room.

Escreva um comentário